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DE ONDE VÊM AS HISTÓRIAS?

 

De onde vêm as histórias?  De onde vêm os contos, as novelas, os poemas, os romances? Estão por aí, no ar, na vida, à disposição do primeiro que agarrá-las e colocá-las no papel – ou carecem de um autor para tirá-las do nada? Saem da cachola ou da cartola? Surgem do dia a dia ou da imaginação? Nascem da reflexão ou numa frase ouvida na rua?
Durante minhas palestras, as pessoas costumam me fazer estas perguntas difíceis. Francamente não sei a resposta. De vez em quando, muito de vez em quando, uma história me chega pronta, prontinha, só faltando o polimento. É como se um santo (ou a tal musa dos gregos) baixasse e me soprasse o texto, parágrafo por parágrafo. O prazer é enorme, muito esperado, mas raríssimo. O santo vai embora depressa e nunca deixa o nome para ser reconvocado. Não adianta rezar ou fazer promessa.
Na vasta maioria das vezes, tenho que penar muito para escrever uma linha. Ralar de verdade. Com frequência, chego ao fim do dia sem produzir uma palavra, submerso na terrível sensação de ter jogado o tempo pela janela, ter desperdiçado justamente o tempo, o bem mais escasso de que dispomos. Nessa hora, não choro, vou em frente. Insisto, exploro cantinhos da mente em busca de associações, reviro lembranças, faço conjeturas, leio livros que nada têm com a literatura, exploro becos sem saída, até que, de repente, abro uma trilha à qual me apego. Como me apego à mais tênue esperança. Nem sempre essa trilha me leva ao objetivo, e sou obrigado a recomeçar. O duro recomeço.
Um dia, no entanto, sinto ter achado o caminho. Parece que a cabeça necessita de uma massa crítica de exploração, divagação e dor para deflagrar o processo criativo. Assim, linha por linha, parágrafo por parágrafo, sujeita a revisões e cortes futuros, a história ganha forma, nem sempre aquela que imaginei. O fim nem sempre é filho do início. Abastarda-se ou virginiza-se no texto. Uma zorra.
Quer passar pela experiência? Tente imaginar uma história. Procure-a por aí, no ar seco deste inverno, ou a garimpe dentro de você. Lembranças da infância, quem sabe? Memórias de um amor perdido, talvez? Ponha as ideias no papel. Examine-as com senso crítico. Talvez você descubra um caminho mais fácil que o meu. Se descobrir, me conte, por favor. Bem depressa. Faz quatro anos que me desdobro para terminar um romance – e, até agora, só está começado.

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Dois paraísos no Canadá

Ponha num só
lugar os seguintes ingredientes: rios cristalinos, lagos cor turquesa ou brancos
de gelo, céu azul, montanhas nevadas, florestas bem preservadas, dezenas de
cachoeiras, algumas azuis, geleiras quilométricas, canyons escavados pelas eras
glaciais e pelas chuvas, bandos de pássaros e bichos, alguns dos mais antigos e
estranhos fósseis do planeta, ar sempre fresco com odor de pinheiro, paisagens
deslumbrantes.
Misture bem esses ingredientes,
descubra todas as formas para combinar e recombinar tanta variedade e formosura.
Pronto. Você chegou ao Oeste do Canadá, aos Parques Nacionais de Banff e de Jasper, isto é, você está num dos mais
deslumbrantes cenários da
Terra. Aproveite. Aqui se respira a natureza em estado puro, sem aditivos. Caminhar
pela região revigora a mente e o corpo. Pode ser por um dia, três, uma semana,
duas. Há trekkings para todos os gostos.
          Se você for do tipo que gosta de estrada
e conforto, Banff e Jasper também o encantarão, pois podem ser vistos em todo o
seu esplendor da janela do carro ou do hotel. Estão ligados por duas bonitas rodovias,
a Canadá 1 A
e a 93, que passam por Lake Louise (famoso pela cor turquesa), enquanto
margeiam as águas límpidas dos rios Bow e
Athabasca. Duzentos e sessenta quilômetros boquiabertos separam os dois
parques que, pela paisagem deslumbrante e pela riqueza da flora e fauna, se
tornaram Patrimônios Naturais da
Humanidade pela UNESCO
. Título merecido.
          Banff,
criado em 1885, é o terceiro mais antigo parque nacional do mundo, tem mais
de 1.600 quilômetros de trilhas, quase 3.000
locais para acampar e mais de quatro milhões de pessoas o visitam a cada ano.
Gente do mundo inteiro o procura, sobretudo para longas caminhadas. Aliás, estas
tiram o fôlego. Não só nas trilhas, às vezes difíceis, como na deslumbrante
paisagem. A mente vive epifanias.
          Jasper,
maior parque das Montanhas Rochosas, data de 1907, possui grande
variedade de animais silvestres e recebe mais de dois milhões de turistas por
ano.  
          Bons hotéis, bed&breakfasts,
restaurantes e serviços, a preços razoáveis, atendem aos visitantes de ambos os
parques. Se preferir, acampe. A baixíssimo custo, com conforto e segurança.

          Há
lugares onde a natureza caprichou mais ao fazer o mundo. Banff e Jasper estão
entre eles. São dois pedaços do paraíso transferidos para a Terra. Dão saudade
pelo resto da vida.

                                                                                                   Para Gabi.

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