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Literatura pra quê?

      Por
que você lê? Lê porque quer se divertir, se entreter, passar o tempo? Talvez
buscar a beleza do texto, fruir a criatividade, estimular seu senso estético?
Você lê para adquirir informação, aumentar o conhecimento? Deseja, quem sabe,
trocar umas horas de seu dia pela sabedoria que um escritor levou a vida
inteira para adquirir? Ou é dos que gostam de viagens no tempo e no espaço, de
grandes fantasias, de enredos que percorrem o mundo inteiro, epopeias que
atravessam gerações, envolvendo a história de continentes e mares? Ou pertence
à tribo dos fãs do horror, dos vampiros, dos magos, dos que mudam a realidade
com o toque do poder sobrenatural? Talvez prefira contos, histórias curtas que
nos pegam pelo pé e pela cabeça, com finais muitas vezes surpreendentes? Ou
você adora poemas, esses voos da alma sintetizados, com frequência, num verso
genial que a gente nunca esquece?
          Não importa a sua preferência, há
sempre um livro que vai acertar em cheio no seu gosto, vai seduzi-lo, vai
encantá-lo. Você pode comprar, pedir emprestado a um amigo, retirar na
biblioteca, baixar no tablet ou no celular. O livro sempre está perto de você,
para lhe acrescentar alguma coisa. Tudo que exige é um pouco de tempo e de
atenção. Ele é o requinte maior que o ser humano desenvolveu, o fruto maior do
cérebro. Abraça o universo, traz nossa alma, sentimento, desejo, sonho.

          O livro
somos nós do jeito que viemos ao mundo, nus, deliciosamente humanos,
fragilmente mortais em todos os séculos, mas capazes de saborearmos um
pouquinho da eternidade. A eternidade fugaz de um livro diante dos olhos.  

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Tablets, foblets, goblets, goblins, gadgets e gente afobets

         Raramente um neologismo nos pegou com a força do tablet, essa varinha de condão que, com dois toques, coloca o
mundo na palma de nossa mão. Tablet tornou-se arroz com feijão, graças a uma
campanha de lançamento bem feita. Todas as mídias noticiaram a histeria
consumista, alardeou-se até a escravidão em que os operários chineses seriam
mantidos, para atender à surpreendente demanda. Ninguém questionou a exploração
humana, todos queriam a geringonça, o novo gadget. O fenômeno se repete, ano
após ano, a cada lançamento, a cada novo modelo que pouco muda.
        O Brasil aderiu ao modismo de
corpo e alma. O governo ameaça, volta e meia, colocar o tablet na mochila de
cada aluno da escola pública. Passa da hora. Os marqueteiros juram que, se você
não comprar um, você vira ET. Por conta de seus gadgets, Steve Jobs perdeu
todos os pecados e morreu santo e herói ecumênico. Enquanto isso, novas
gerações de tablets chegam ao mercado, novas empresas os comercializam, novos
nomes são inventados, surgem os foblets, muitos não vingam, todos se tornam
goblets (Santo Graal para recolher dinheiro), as pessoas se sentem goblins
quando não possuem o modelo mais atualizado.
          Já
vi esse oba-oba antes. Muitas vezes. Aconteceu com tvs, vídeos, filmadoras,
pcs, celulares, laptops etc. Desatento e induzido, comprei na afobação vários
gadgets, completas inutilidades. Tenho pilhas de lixo eletrônico. Quanto ao
tablet, todos possuirão um. Ele resolve problemas, inclusive o de carregar muitos
livros numa viagem. Ainda mais agora que os modelos mais simples custam apenas
100 reais. Se funcionam, não sei, porém o preço comprova a tese de que logo todos terão
um. Nem que seja para parecer moderno e deste mundo. Um mundo de neologismos e
de quinquilharias digitais. Um mundo de gente afobets por gadgets que logo vão para o lixets.
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