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O FRALDULENTO – FINAL DA SAGA

 

 

 

Encontrei minha neta Teresa com a fralda mais suja que o Congresso Nacional. Sim, ela conseguiu a façanha. Tentei limpá-la com uns quinze paninhos úmidos. Não fizeram qualquer diferença. Diante de tanta sujeira, lavá-la me pareceu a solução lógica. Embrulhei-a em três fraldas novas, o que ofereceu algum isolamento entre minha pele e a matéria orgânica que escorria até o chão. Fui até a banheira, abri a torneira. Primeiro problema: a água estava quente ou fria demais? Quando concluí que estava morna e confortável, não houve mais jeito. Para mim. O contato tinha sido inevitável. Eu também fedia.

Tentei remover, de longe, a espessa camada amarela com o jato mais forte do chuveirinho, mas não tive êxito. Fui obrigado a segurar a menina. Venci a resistência e a segurei. De repente, vapt. Ela quase caiu. Por reflexo, agarrei-a contra o peito. Ah, como o melado escorrega… Mais liso que gosma de quiabo. Fiquei imundo do peito à calça, enquanto a baixinha me escapava entre a mão direita e a esquerda e quase despencava. Grudei-a com força no último momento, antes que mergulhasse no suco amarelo acumulado junto ao ralo.

Quando me vi, precisava de um banho com urgência. Todo dourado, entrei em desespero. A Teresa percebeu. Sorriu para mim, na vã tentativa de me consolar. Ou a danadinha se divertia?

Resultado da batalha: melhor seria se nós dois tomássemos uma chuveirada. Assim o caldo fedorento iria para o ralo, e recuperaríamos a aparência e o cheiro civilizados. Sob a ducha, apareceu mais problema. A pobrezinha por pouco não foi à lona, quer dizer, ao mármore do piso. Mas também pudera. Bebês ficam muito lisos quando ensaboados. Já me esquecera.

Secar a Teresa foi outra luta. Ela mexia demais na concha de plástico onde minha filha a enxugava sem a menor dificuldade. Quase beijou o chão enquanto eu buscava o talco. No entanto, consegui perfumá-la. Ficou todinha branca, exalando rosas. Da cabeça aos pés. Os olhinhos pretos eram a única parte que se destacava no meio da alvura. Eu, contudo, conseguira. Comemorei a vitória com um pequeno grito. Que arrependimento… Minha neta se assustou e começou a chorar. Com toda a força de sete meses de treinamento.

Sou, porém, perseverante. Peguei um chocalho, balancei-o até sentir cãibra nas mãos. O esforço valeu. Dali a dez minutos, o berreiro parou.

Depois do talco, veio a pomada. Só então ataquei a fralda. O fato de, uma vez mais, colocá-la de trás para a frente não vem ao caso. Acontece sempre. Importa dizer que, no momento em que devolvia a Teresa ao berço, minha filha chegou. Ao ver meu serviço, não teve dó:

– Pai, que fralda mais mal colocada!

Fiquei ofendido. Os fraldulentos merecem mais respeito. Teresa sorriu de novo para mim. Ela se divertia com minha cara ou se vingava? Não quis interpretar a expressão. Dei-lhe um beijo. Com ternura. Como se fosse uma medalha por bravura. Sobrevivera ao avô.

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