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Entre a razão e a emoção, com qual você fica?

      O que nasceu antes, a razão ou a emoção? Se você respondeu a emoção, acertou. A emoção precede a razão. Quanto mais desenvolvemos as emoções, melhor raciocinamos. Muita gente sabe isso por instinto, mas faltava comprovar cientificamente. A comprovação foi feita por neurocientistas nos Estados Unidos, na Europa e aqui no Brasil.
    Agora, faço uma provocação: o que é a literatura senão pílulas concentradas de emoção? Dessa simples pergunta, conclui-se que quem lê bastante ficção raciocina melhor. Isso de fato acontece. Outro estudo sobre o cérebro explicou o motivo. Nossa mente não distingue bem a diferença entre a realidade e a fantasia escrita nos livros. Para o cérebro, são quase a mesma coisa o enredo de um romance e um episódio que estivéssemos de fato vivendo. Resultado: aprendemos muito com a fantasia, o que nos ajuda a raciocinar melhor.
     Como se essas vantagens já não bastassem, a leitura ainda lubrifica as estradas de neurônios que produzem os pensamentos, transformando-as em verdadeiras autopistas de grande velocidade. Tanto é verdade que, num estudo recente, constatou-se que os analfabetos e os pouco letrados não ganham o benefício da agilidade dos impulsos neuroniais.
      Uma pena que isso aconteça. Como se vê, o analfabetismo é duplamente cruel com as pessoas, social e mentalmente. Resumindo a questão: se você quer maior rapidez de pensamento busque o entretenimento. O entretenimento da leitura. Ninguém sai o mesmo de um bom livro.
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Poesia morde?

       Você
não gosta de poesia, acha a poesia de hoje difícil de entender, tem preguiça de
percorrer os labirintos de um poema atual? Uai, sabe que eu também fico às
vezes nessa sinuca de bico? A culpa não é da poesia, sempre necessária e
reveladora, mas dos modismos adotados por alguns poetas. O resultado costuma
ser, de fato, uma confusão, um desencontro de palavras, uma verborragia
desprovida de sentido.
          Desconfio de que, com frequência, nem
o próprio poeta saiba o que tenha dito, se é que tivesse algo a dizer. Um deles
me confessou que desejava apenas fazer ruído. Sim, ruído. Se esse era o
objetivo, por que não gravou a barulheira no centro da cidade às seis da tarde?
O interessante é que alguns desses gajos recebem louvações da mídia, que tenta
nos forçar a concluir que são o ideal da arte, o suprassumo das musas, o modelo
do futuro. Somos enganados e ficamos com a tristeza de desgostar de poesia, não
é mesmo?
          Vamos separar as coisas. Quem faz
poesia assim é uma minoria. Existem grandes poetas, novos e antigos, para todos
os gostos, desde os que fazem grandes voos verbais aos gênios que sintetizam
enciclopédias em meia dúzia de palavras. Esses não passarão feito passarinho.

          Enquanto
romancista, invejo a capacidade de dizer tanto em tão pouco. Os poetas me tocam
bem fundo, revelam passagens escondidas entre nossos abismos interiores, tiram
o peso do corpo e da alma, abrem avenidas para o pensamento, questionam ideias,
expõem conflitos, revolvem nossas entranhas, oferecem momentos de graça e vislumbram
o paraíso. O mundo é feito de poesia. O bom poeta sabe disso e a garimpa onde
menos esperamos. Arranca-a da pedra, do caminho, do asfalto. O resultado é puro
deleite, puro encantamento, pura poesia. Poesia não morde. Afaga.

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