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A derrota que se transformou em vitória

Ao
conceder a Ernest Hemingway o Nobel de Literatura de 1954, o Comitê do prêmio
citou nominalmente o menor dos livros do escritor. Trata-se de uma obra tão
pequena que é usada para avaliar a rapidez de leitura nos cursos de leitura
dinâmica, onde os alunos avançados devoram suas noventa páginas em meros dez
minutos.
          Que livro é esse? Trata-se do polêmico
O Velho e o Mar, a epopeica captura
de um marlim com mais de cinco metros pelo cubano Santiago, nas águas do Golfo
do México. Após quase três meses sem pescar nada, Santiago se vê, sozinho, às
voltas com o fabuloso marlim que custa a dominar, para em seguida ser assaltado
por tubarões que lhe descarnam a presa, até deixar pouco mais que a espinha
dorsal do peixe. Essa espinha dorsal traria a Santiago a consagração em seu
pequeno vilarejo e, enquanto história, renderia a Hemingway extraordinária
popularidade mundo afora. Uma curiosidade: para não terminar sem peixe como
Santiago, o escritor mantinha em seu barco uma submetralhadora para afastar os
tubarões.
          Muitos críticos acharam a novela
pobre, sem rumo, assinalaram que o autor resvalava na religiosidade barata, no
monumentoso, até no plágio ou releitura de outra novela norte-americana, Moby Dick.
Outros, ao contrário, por sinal a maioria, viram em O Velho e o Mar, o toque da genialidade, a obra
que culminaria a carreira de Hemingway, inclusive garantindo-lhe o Nobel. Eu me
coloco entre os admiradores.
          O livro possui momentos de grande
inventividade, narrada no estilo simples, à primeira vista sem grandes
recursos, característico do autor de Por
Quem Os Sinos Dobram. Para tirar a teima, por que você
não avança através dessas noventa páginas de O Velho e o Mar e tira a própria
opinião? Aposto dez por um que vai gostar.

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