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O ORÁCULO QUE DEU CERTO

 

31 de dezembro de 2012, 10 da noite. Estávamos os quatro ao redor da mesa de bebidas e tira-gostos, aguardando a virada: um sueco, um italiano, um argentino e eu. Depois de aplaudir nossa escolha para a Copa e as Olimpíadas, o sueco e o italiano elogiaram o bom desempenho da economia brasileira. Concordei e disse que, em breve, alcançaríamos a Inglaterra. O argentino, professor de economia na Universidade de Londres, discordou:

– Você está falando bobagem, Luís. O Brasil nunca alcançará a Inglaterra, se vocês mantiverem a atual política econômica. E vai regredir.

– O que tem de errado com nossa política econômica, se o Brasil está dando certo?

– Tem muita coisa errada. O governo gasta mais do que arrecada, gasta mal, em coisas supérfluas e jogadas eleitoreiras, financia demais o consumo, a inflação vai disparar, subsidia combustível com o caixa da Petrobras e tira da empresa a capacidade de investimento, esqueceu a infraestrutura, a corrupção atingiu níveis assustadores, o real está supervalorizado, o mundo ainda não saiu da recessão. Se mantiverem esta política suicida, o país não se sustenta. Vai acabar perdendo o crédito e a credibilidade. E as reservas internacionais brasileiras poderão ser insuficientes para o serviço da dívida, pois os juros para vocês subirão muito. As conquistas sociais, em grande parte, vão virar pó.

A conversa virou um bate-boca animado, nós dois intransigentes, eu espantado com a desinformação do professor de uma das grandes escolas de economia do mundo. Dou a mão à palmatória. Eu era o desinformado. O oráculo estava certo. Sem qualquer ambiguidade. Infelizmente para todos nós.

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A MÃO INVISÍVEL

Um bom livro não precisa, necessariamente, ser extenso. Nem precisa ser contemporâneo. Aqui vai um exemplo de livro antigo  que merece ser lido. Aliás, é um clássico que nenhum graduado em ciências econômicas pode ter deixado de ler. Trata-se de A Riqueza das Nações, de Adam Smith. Publicado em 1776, é tido como um grande suporte teórico do liberalismo econômico ou do capitalismo.
Para quem defende o liberalismo e o capitalismo ou para quem os odeia, Adam Smith e sua mão invisível do mercado, isto é, a mão invisível do interesse e do egoísmo, são indispensáveis para compreender o funcionamento da economia.
No entanto, há uma outra maneira de ler a obra: é descobrindo como o autor escocês cria sua tese e a defende, investindo seu talento nos argumentos e na persuasão. Assim se entende como essa mão invisível do Iluminismo ainda seduz tanta gente em pleno século 21.
Pertence à Riqueza das Nações a célebre frase, citada em quase todos os compêndios de economia: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que nós podemos desfrutar nosso jantar, mas do empenho deles em defender seus próprios interesses”.
Adam Smith, pai do capitalismo e do laissez-faire, defendia que a competição é o motor de uma sociedade produtiva, uma lição que nós, brasileiros, tardamos a aprender, iludidos por atalhos que não deram certo. Se nossos economistas tivessem de fato lido A Riqueza das Nações, talvez não amargássemos hoje uma terrível posição na competitividade entre as nações. Isso apesar do livro estar disponível há 240 anos. Pior ainda para nós: muita gente em outros países o leram e puseram em prática suas conclusões.

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